IRONMAN Africa do Sul 2011...

... prova da determinação



Por:  André Teixeira - Aracaju/SE
 Quando comecei a treinar, em Novembro/2010, para o IRONMAN da Africa do Sul ainda não tinha certeza se participaria da prova. Precisava aguardar recursos financeiros para fazer a inscrição e programar a viagem. Foram 2 meses de treinamento até conseguir realizar a inscrição e programar a viagem faltando pouco mais de 2 meses para a realização da prova.
   Nunca havia treinado com tanta determinação para participar de uma prova. Para o IRONMAN Brasil de 2010 eu treinei com determinação, mas ainda estava me conhecendo e aprendendo as melhores maneiras de realizar os treinos, organizar os descansos e conciliar com a vida pessoal e profissional. Então para mim o resultado alcançado ao cruzar a linha de chegada, independente de qual fosse, seria o melhor.
   Agora, para o meu segundo IRONMAN, eu já sabia como dividir meu tempo e pude me preocupar mais com a progressão nos treinamentos. Realizei meus treinos longos de 4, 5 ou 6 horas de pedal com mais 30, 40 e até 50 minutos de corrida com muita vontade e procurando sempre a progressão nos tempos. Nos treinos de corrida saia para correr 2 a 2 horas e meia já com as passagens a cada quilometro definida na cabeça.
   Nas últimas 4 semanas, consegui progressões muito boas nos treinos de corrida, saindo de 4:30/km na semana 14 para 3:57/km na semana 18 em um percurso de 12,2 km. Na semana 17, 3 semanas antes da prova, participei de duas competições no mesmo dia. Pela manhã conquistei um 5o lugar no ciclismo, onde fechei os 20 km para uma média de 36,3 km/h e a tarde corri a São Cristovão - Aracaju, um percurso de 25 km com muitas subidas, que fechei para 1 hora e 44 minutos (4:09/km).
   Com a progressão nos treinos e estes resultados poucas semanas antes da prova estava muito confiante que poderia realizar uma ótima prova na Africa do Sul.
   No IRONMAN Brasil participei imaginando que conseguiria fechar a prova em menos de 12 horas e me surpreendi quando cruzei a linha de chegada em 10 horas e 32 minutos.
   Agora fui para a Africa do Sul com o objetivo de baixar das 10 horas, principalmente realizando uma ótima corrida já que foi a modalidade que mais progredi durante os treinos. Mas infelizmente fui surpreendido por situações e acontecimentos que influenciariam na realização da prova.
   O primeiro equívoco foi programar turismo antes da prova. Depois o fato da minha esposa ser mordida por uma aranha já no segundo dia da viagem causou preocupação, e o preço cobrado pelo atendimento médico e medicação só fez aumentar a preocupação já que praticamente todo o dinheiro que levamos foi utilizado. E o pior, não havia feito um seguro de viagem. Estas situações aliadas a falta de costume de comer alimentos com muito tempero, e fortes como pimenta e curry, fizeram com que eu desenvolvesse problemas intestinais que desencadearam uma desinteria já no dia 07 de Abril quando viajamos para Port Elizabeth, local da prova.
   Chegando lá procuramos comer somente no McDonald´s já que era algo mais conhecido e ficaríamos menos suscetíveis a temperos e molhos. Somente no sábado, dia 09/04, véspera da prova, após deixar a bicicleta na área de transição, tivemos a idéia de procurar um remédio para restauração da flora intestinal. O remédio fez efeito, mas somente 3 dias depois e infelizmente fiz a prova em condições físicas abaixo da capacidade ideal.
   No dia 09/04, almoçamos no McDonald´s e no mercado aproveitamos para comprar pão, maçã, bolacha água/sal e abacate (minha alimentação oficial no café da manhã) para eu me alimentar. No jantar tive a idéia de pedir prato de macarrão sem molho, isso mesmo, macarrão seco e consegui comer dois pratos bem servidos o que me deixou mais confiante para o dia seguinte.
   No subconsciente eu estava tão preocupado com a situação que acordei as 03 da manhã achando que havia perdido o horário. Passado o susto dormimos mais uma hora para então acordarmos para tomar o café da manhã. Comi basicamente o que havíamos comprado no mercado.
   As 05 da manhã já estávamos na área de transição para organizar os preparativos finais antes da largada.
   As 07 da manhã em ponto foi dada a largada. Estava me sentindo bem, não o suficiente para o meu melhor, mas confiante que faria uma boa prova. Apesar da água gelada, várias vezes precisei abrir e fechar a mão para melhorar a circulação e ver se passava menos frio, concluí a natação em 01 hora e 08 minutos. Fui para a transição realizando-a 4 minutos e meio mais rápido que no Ironman Brasil. Sai para os 180 km de ciclismo que foi realizado em 3 voltas de 60 km. Os primeiros 13 km era praticamente todo em subida já que saíamos do nível do mar para alcançar 183 metros acima do nível do mar. A partir deste ponto passávamos a pedalar em declives e trecho planos com poucas subidas até fechar os 60 km da volta. No percurso havia trilho de trem, lombadas e trechos, principalmente do km 25 até o km 50 com muitas ondulações no asfalto.
   Foi numa destas lombadas, próximo ao km 30 que meu pneu furou. Fiz minha estréia em troca de câmara durante uma prova, já que nas demais provas que havia participado nunca foi necessário parar por problemas técnicos. Aqui sofri por cometer outro erro. Não testar um equipamento ou acessório antes. No dia anterior havia comprado uma bomba com a promessa de ser muito eficiente. E realmente é, só que eu levei uns 20 minutos para descobrir seu funcionamento correto e isto me custou uma câmara nova já que na tentativa de encher quebrei o bico. Depois de perder uma câmara nova, fiquei testando a bomba na câmara que furou até entender que era necessário enroscar o bomba no bico da bicicleta para o uso correto da mesma. E sem dúvida a bomba é ótima, pena que descobri durante a prova.
   No total foram 25 minutos perdidos e faltando 150 km para completar o ciclismo saí sem nenhuma câmara reserva. Confesso que neste momento passou pela minha cabeça que a prova terminaria por ali ou que não concluiria o ciclismo caso viesse a ter novos problemas com o pneu. Completei a primeira volta em 2 horas e 20 minutos. Fiz a segunda volta com muita cautela ao passar pelo trilho do trem, pelas lombadas e imperfeições da pista procurando reconhecer estes pontos para a terceira volta. Completei a segunda volta em 2 horas. Já na terceira volta fui para o tudo ou nada, apertei o ritmo e completei no ritmo que tenho pedalado nas últimas competições fechando a volta em 1 hora e 50 minutos.
   Passei pelo relógio na área de transição marcando 07 horas e 28 minutos de prova. Mais uma vez fiz uma transição rápida e desta vez sem penalidade, consegui baixar em mais de 6 minutos a segunda transição em relação ao IRONMAN Brasil. Sai para correr com um pouco mais de 07 horas e 30 minutos de prova. Emocionado por ter concluído o ciclismo apesar dos contra-tempos técnicos, comecei correndo para 04:40 min/km, mas já no km 2 precisei parar para as necessidades de número 1. Quando retornei já havia um posto de hidratação onde peguei coca-cola e espuma com água gelada já que o sol estava forte. Deste ponto em diante não consegui manter um bom ritmo de corrida, pois percebia que estava sem força para imprimir um ritmo mais forte.
   Continuei dentro do que imaginava ser meu limite até que no km 13 os problemas intestinais voltaram e precisei parar para as necessidades de número 2. Ali ficou o pouco de reserva alimentar que eu possuia do dia anterior. Depois desta parada passei a consumir coca-cola e carboidrato em gel distribuídos nos postos de hidratação. Ainda pararia outras vezes para as necessidades de número 1 e no km 34 novamente os problemas intestinais me forçaram a parar. Não imaginava que ainda teria alguma coisa para eliminar, puro líquido.
   Terminei os 8 km finais somente na força de vontade, correndo para 6:00 a 06:30 min/km e com a determinação de quem treinou buscando sempre o progresso dentro dos limites físicos. E sem dúvida toda a preparação foi fundamental. Preparação que foi focada para completar a prova em menos de 10 horas, mas que serviu para concluí-la, mesmo com as circusntâncias adversas enfrentadas, em 12 horas.
   Mais uma vez fica comprovado que uma preparação bem estruturada e consistente é fundamental tanto para concluir a prova dentro do esperado e do planejado como também para concluí-la dentro de situações não imaginadas e atípicas.
   Graças a este treinamento tive condições fíisicas e psicológicas para completar meu segundo IRONMAN, o primeiro do projeto
TRIATHLON ULTRAMAN 14, que sem dúvida me ensinou muito para as próximas provas. A intenção de realizar provas do circuito IRONMAN em diferentes lugares é exatamente adquirir experiência para o objetivo principal que é concluir o ULTRAMAN abaixo de 24 horas.
   Agradeço a benção de ter condições de participar e finalizar mais um IRONMAN e a todos que acompanham e acreditam nesta "odisséia" e torcem para que as metas sejam alcançadas rumo ao objetivo principal. 

4 comentários:

ASTRIBA disse...

Treina.
É isso
Treina.
Perseverança.

Jordão Alves disse...

Parabéns grande evento onde a cabeça também mostrou alguma serenidade e calma o que por vezes e muito importante.
Um IM é sempre um desafio desde a largada até a meta. Terminar é sempre uma vitoria pessoal.
Talvez um dia quando houver um aqui no meu pais EM Portugal eu convido para vir cá pelo menos recomendo onde se come bem e não terá problemas intestinais... lo lo
Boa recuperação e continua com esse espirito de guerreiro IM
Um abraço.

cfportugal disse...

hj em dia tenho um ponto de vista, muito mais radical a respeito desse tema, pessoas treinadas para um IM, precisam pensar mil veze,s quando passam por um problema desses, pois perdem um pouco da noção do que pode ou não causar danos permanetes ao corpo, como estamos muito bem treinados, conseguimos "sofrer" mais, a cabeça permite esse sofrimento, mas o corpo não funciona com toda essa sintonia, as vezes é mais inteligente desistir e muitos não o fazem.

tenho vários conhecidos, com menos de 50 anos, com problemas cardiacos, tendões, musculos, ossos e etc, graças a "nesse dia em que o corpo disse não" e a cabeça disse sim.

moral da história, muitos deles, não podem mais praticar nosso esporte.

É como aquela cena da maratona das olimpiadas de 84, a atleta morre de vergonha de ter passado por aquilo, apesar de nós acharmos uma linda cena de superação, ela vê como um erro absurdo de estratégia e um sofrimento desnecessário.

Henrique Pereira disse...

Ciro hoje eu tenho um atleta a quen possome orgulhar de ver e torcer pelas conquistas lembro do primeiro duatlo la em holambra ,são silvestre Ciro vi vovce conquistar o que vc sempre almejou torço por vc toda ves quer estou desanimado para praticar o esporte lembro que tenho um amigo de muita garra e Guerreiro um grande abraço Henrique Pirassununga..