Brasil: O país dos impostos.

O texto abaixo é um email que recebi da Renata Bittar, gerente de marketing da NewBalance Brasil -
ela explica no texto como nosso querido país Brasil taxa, re-taxa e re-taxa de novo produtos importados, e o quanto nós brasileiros somos trouxas por nunca fazermos nada.

ciro



Email da Renata da NewBalance:
Oi pessoal,
Tudo bem?
Não sei se vocês estão por dentro, mas oito empresas de calçados, se uniram para tentar retomar as negociações com o governo em relação ao antidumping, em que todos os calçados importados da China recebem uma sobretaxa de importação de U$13,85. O grupo inclui as multinacionais Nike, Adidas, Asics, Puma, New Balance, Skechers e companhias nacionais como Penalty/Cambuci e São Paulo Alpargatas.

Vocês devem estar se perguntado: A troco de quê a Renata está me enviando esse email????

Respondo: Com essa sobretaxa, os produtos estão se tornando cada vez menos acessíveis, como podemos avaliar, alguns modelos estão custando no varejo cerca de R$ 529,00 ( a diferença de preço em relação aos outros países é tão absurda que chega a R$380,78) .

Por favor repassem para seus amigos corredores, pois temos a missão de informar um problema que poderá nos afetar cada vez mais e até mesmo os atletas profissionais que irão representar o nosso país e não terão o equipamento adequado para obterem o melhor desempenho, já que algumas empresas estão repensando sobre os investimentos no país na Copado Mundo e também nas Olimpíadas.

No anexo a verdadeira história por trás do antidumping, matéria muito boa do Diário de SP “TÊNIS IMPORTADO CONTINUA ‘LUXO’ POR MAIS 5 ANOS. Governo prorroga medidas protecionistas que aumentam o preço. Diferença de valor chega a R$380,78 em relação aos outros países”

E abaixo a matéria que está hoje no Estadão.
Para importador, sobretaxa do tênis beneficia Vulcabrás

AE Agencia Estado

SÃO PAULO - Os importadores de tênis estão reclamando que a sobretaxa contra a importação de produtos chineses beneficia só uma empresa - a Vulcabrás, do empresário Pedro Grendene. Eles afirmam que a tarifa antidumping inviabiliza seus negócios e pode comprometer os investimentos para a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Oito empresas se uniram para tentar retomar as negociações com o governo. O grupo inclui as multinacionais Nike, Adidas, Asics, Puma, New Balance, Skechers e companhias nacionais como Penalty/Cambuci e São Paulo Alpargatas.

Desde março, o Brasil cobra US$ 13,85 por par de sapato importado da China. Os fornecedores estabelecidos nesse país são acusados de praticar dumping, que é vender abaixo do preço de custo. A sobretaxa vigorará por cinco anos e é adicional à tarifa de importação de 35%. A proposta dos importadores é segmentar o dumping e negociar uma ?banda de preços? para os tênis. A sobretaxa mudaria conforme o preço do produto.

Reunimos todas as empresas, menos a Vulcabrás, que está sendo beneficiada. Queremos criar uma agenda positiva com o governo e mostrar as consequências da medida?, disse o presidente da Adidas, Marcelo Ferreira. Segundo ele, a Adidas está reavaliando os investimentos no Brasil por causa da sobretaxa. O vice-presidente da Asics, Giovani Decker, também atacou a Vulcabrás. ?Nos causa curiosidade o fato de o presidente da Abicalçados ser também presidente da única empresa beneficiada pela tarifa?.

O diretor executivo da Vulcabrás e presidente da Abicalçados, Milton Cardoso, afirma que ?é uma mentira? que só Vulcabrás produz tênis no Brasil. Segundo ele, existem 249 fabricantes de calçados esportivos no País, muitas situadas nas cidades de Nova Serrana (SP). Desse total, 93 assinaram um manifesto de apoio à medida antidumping. O executivo disse que não pode revelar o nome das empresas, porque muitas são fornecedoras das multinacionais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Abs,

Renata Bittar

8 comentários:

Max disse...

Ciro,

com bikes e acessórios é a mesma coisa. No final das contas, acontece o seguinte:

1) mais e mais atletas compram seus produtos nos Estados Unidos,e com isso a economia deles nesse setor vai bem obrigado;

2) com isso também, o capital desviado do comércio brasileiro retrai o setor, e o esporte e os atletas saem perdendo;

Resultado: o governo continua ganhando com os impostos arrecadados, o comércio americano continua ganhando com a geração de vendas, o comércio brasileiro toma na orelha, e o esporte brasileiro toma não vou nem falar onde.

Solução: criar um imposto único, tipo VAT, e taxar importados nos padrões de outros países com economistas normais.

Na minha forma simplista de ver, com isso o governo continuaria arrecadando (através de ICMS, e talvez até mais), o comércio no Brasil iria aquecer-se, e o esporte sairia ganhando.

E se alguém alegar que isso serve para proteger a indústria nacional, eu digo que isso serve para deixá-la menos competitiva a nível internacional.

m.

Anônimo disse...

Ciro,

me desculpe, mas os preços no Brasil nao sao altos apenas pelos impostos, mas tb por que as multinacionais trabalham com uma margem de lucro muito maior do que suas subdisiarias internacionais. Os impostos no Brasil sao muito altos, mas os lucros das importadoras tb...

HVM

Ciro disse...

É claro que os lucros das multinacionais também são altos.
É o que o capitalismo prega não é?
A empresa tem que gerar lucro, se não, não interessa mais ser empresa.
O problema do aumento dos preços esta diretamente ligado ao imposto, isso é fato.
Quanto maior o imposto, maior o preço final do produto e isso quem paga é o consumidor, ou seja, nós.

Max disse...

HVM,

fiquei curioso. Você poderia dar um exemplo concreto dessa situação? Eu não consigo imaginar um importador que pague todos os impostos e tenha um lucro maior do que o distribuidor no país de origem.

Se sonegar é possível, mas se pagar tudo, eu acho difícil.

m.

m.

HVM disse...

Max,

Já trabalhei com importação de instrumentos musicais, e quando falava para os fornecedores americanos as margens dos distribuidores brasileiros, eles ficavam espantados, pois a deles era bem menor. Resumindo lá eles trabalham com uma margem pequena e ganham no volume, aqui trabalhamos com uma margem absurda e ganhamos com poucas vendas. Acredito que no ramos de bikes, seja mais dificil de fazer isso pois é um mercado muito pequeno, mas no de tenis, com certeza a asics, como a nike, a mizuno e outras, poderia abaixar um pouco a margem de lucro e ganhar com o aumento de vendas que o preço menor iria proporcionar... Como é possivel um tenis que sai por 100 dolares nos EUA(preço de lojista, com certeza a asics do brasil importa direto da china, pagando no máximo 50 dolares no preço de custo do tenis) e o preço de venda sai por 550,00 REAIS!?!?! Por mais que o Brasil tenha muitos impostos, não são mais de 100% em cima do valor FOB do produto! Vc como lojista deve saber que os lojistas são obrigados a trabalhar com uma margem de 100% imposta pelas grandes(nike, adidas, asics e outros). Na minha opinião é bastante alto! Não basta apenas abaixar os impostos!( mas eles devem ser abaixados também...) as empresas brasileiras precisam mudar a mentalidade de querer ganhar muito com pouco esforço(mentalidade essa que vem da época da inflação gigante) e popularizar seus produtos. Agora os fabricantes brasileiros tb precisam mudar a mentalidade,parando de pedir ajuda ao governo para proteger seus mercados, hj em dia no mundo globalizado, todo mundo é seu concorrente e se vc quer vencer, seja melhor, mais barato e mais eficiente e não fique chorando pro governo te ajudar...
P.S. Hj atuo como fabricante de roupas esportivas, portanto já estive dos 2 lados da moeda e sei das dificuldades de cada um...

E Ciro, não estou falando que as empresas não devam ter um lucro alto, mas a partir do momento que elas trabalham com um lucro muito alto, não tem a minima moral para pedirem isenção de imposto. Vc sabia que o carro que é produzido pelo Brasil é vendido por quase metade do preço no Chile? Agora se vc fizer as contas dos impostos, não justifica esse dobro de valor, a unica justificativa é que no Chile os importadores trabalham com uma margem menor do que os vendedores no Brasil...

Max disse...

HVM,

eu não posso julgar o mercado como um todo baseado na minha experiência, mas de uma coisa eu tenho certeza: na loja, entre peças, acessórios e bicicletas, não temos nenhum - nem unzinho - produto que seja comprado de distribuidor no Brasil e nos permita 100% de margem chegando em um preço competitivo.

Um outro dado interessante: um produto importado que permita ao lojista chegar ao final da cadeia de "tira daqui, paga ali" com 10 a 12% de resultado líquido é considerado lucrativo. E se eu não tivesse visto a conta com os próprios olhos não teria acreditado.

Acho então que isso significa duas coisas:

1) hipotéticamente, você compra um produto por 100 dólares (ou 180 Reais), vende por 500, todo mundo acha que você ganhou 320, e na realiade voce recupera os 180 e ganha 18. Logicamente, isso vale para 100% dos impostos pagos;

2) o povo brasileiro - tanto consumidores como os integrantes dos setores secundário e terciário - são vítimas de um sistema fiscal cruel, não somente porque pagamos em dobro muitos impostos, mas também porque parte desses impostos vão parar em cuecas ao invés de benfeitorias públicas.

m.

Rogerio disse...

A Adidas possivelmente abrirá uma filial na zona franca de Manaus.
Alguns temem, que ela se aproveitará desses bonus ou descontos de impostos e trará os produtos quase prontos, da Asia para serem apenas montados no Brasil, mas estima-se a abertura de 800 novos empregos naquela região e a promessa de produtos mais em conta.
Hoje os holofotes estão voltados para o Brasil em em 2032 seremos a quinta economia do planeta.
Qu as empresas de materiais esportivos tenham visão e tragam plantas de suas industrias para nosso pais.
Não posso julgar as intenções da Adidas, mas segundo a Isto é Dinheiro dessa quinzena, o negócio deve sair do papel.

Joka disse...

Realmente é broca !!! ALIQUOTAS,II,IPI, ICMS,SDAS,ARMAZENAGEM,FRETE MARITIMO OU AÉREO QUE É MAIS CARO,DESP.ADUANEIRO E FRETE RODOVIÁRIO...Afff. Sai mais barato ir no Tio San. E sim é o que o capitalismo prega no Brasil !!! Abrax Ciro.