O mundo esta de ponta cabeça, mesmo!!!!

Leia o texto ali em baixo.... que foi tirado do site Vá de Bike


Coloquem se no lugar das pessoas de duas maneiras diferentes . . .

Coloque se primeiro na condição de motorista dentro do seu carro grande poderoso, isolado do mundo por blindagem, ar condicionado e vidros escuros querendo passar, como sempre . . .

Depois, coloque se na condição de pedestre, estando com sua família numa noite agradável, passeando e interagindo com todos ao seu redor....... e veja quem realmente esta errado, pensando num consenso comum.


CET pode ser punida por abrir a Av. Paulista para as pessoas

Por Willian Cruz

No último final de semana (17 e 18 de dezembro), havia tanta gente visitando a Av. Paulista para ver a decoração de Natal que as pessoas não cabiam nas calçadas. Eram famílias com filhos, casais de namorados, idosos, gente de todas as idades passeando por ali a pé. Alguns haviam estacionado seus carros na região, outros tinham vindo de transporte coletivo.

E a quantidade de pessoas foi aumentando, aumentando, a ponto de que elas começaram a invadir o “leito carroçável”, por pura falta de espaço.

A abertura
Em uma medida inédita e inesperada, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) decidiu desviar o fluxo de carros para as ruas paralelas, deixando a avenida livre para as pessoas.

O que muitos chamam de “fechamento”, principalmente a imprensa, na verdade foi uma “abertura”, já que a maioria das pessoas ali circulava a pé e não de carro. Chamar de fechamento, convenhamos, é analisar a questão por detrás do para-brisa. Quem estava espremido nas calçadas com a família certamente viu a medida como uma liberação.

A quantidade de pessoas era tamanha que logo toda a avenida foi tomada, como mostra esta foto do G1. Mais gente foi chegando, sabendo da novidade pela boca de quem estava lá. Casais passeavam de mãos dadas, crianças corriam despreocupadas, um garoto passeava feliz em sua bicicleta.

Não houve anúncio prévio da abertura. As pessoas souberam ali na hora, vendo a coisa acontecer, em uma surpresa sensacional e inesquecível. E isso porque não foi uma liberação programada: foi o óbvio a fazer naquela situação, pela segurança de todos. Uma atitude que reforça a sensação de que a atual presidência da CET preocupa-se mais com a vida das pessoas do com a fluidez a qualquer custo, compreendendo que esse custo geralmente acaba sendo pago em vidas.

Sempre tem quem reclame
Os comentários de sempre, de que “impede-se o direito de ir e vir” e de que “isso atrapalha as emergências” já eram esperados.

O direito de ir e vir de quem circula de carro continuou assegurado: automóveis poderiam usar as vias paralelas para cruzar a região. Carros de moradores continuavam sendo liberados para acesso aos edifícios. Mas os pedestres não poderiam usar as vias paralelas, afinal o objetivo de sua visita estava ali.

As pessoas a pé, maioria incontestável na avenida todos os dias, o dia todo (exceção talvez nas madrugadas), dessa vez também tiveram seu direito de circulação assegurado. Direito, aliás, que começava a ser impedido quando as calçadas lotaram e impediam a passagem segura das pessoas.

A maior parte da área útil da avenida continuava dedicada aos automóveis, mesmo que eles representassem uma parcela muito pequena das pessoas circulando por ali. As pessoas começavam a descer à via, na faixa dos ônibus, pois não cabiam mais nas calçadas. O que era o mais óbvio a ser feito?

Ambulâncias

O argumento de que uma massa de pessoas (ou bicicletas) na avenida atrapalha as emergências é uma grande falácia. Dita sempre em tom de alarmismo para convencer pelo choque, mascara uma reclamação egoísta quanto ao direito de circular na avenida em seu próprio carro, mesmo que em detrimento da circulação de outras pessoas.

O que ocorre é exatamente o contrário do que vende esse discurso. O que atrapalha os veículos em atendimento de emergência são os carros congestionados, que trancam a ambulância em meio ao caos, testando a paciência de seu motorista e causando, certamente, mortes e sequelas por atraso nos atendimentos das quais não ficamos sabendo.

E todo mundo que já viu uma ambulância em desespero na hora do rush sabe do que falamos aqui: dá vontade de arrancar os carros com as mãos para liberar espaço para a ambulância passar, mas os motoristas simplesmente não têm para onde sair.

Pessoas circulando a pé ou de bicicleta conseguem dar espaço com facilidade, instantaneamente, pois não têm sua mobilidade tão limitada quanto a de quem está em um automóvel. Um carro só pode sair para frente ou para trás, isso ainda se o outro carro der espaço. Por outro lado, uma pessoa a pé ou de bicicleta consegue sair rapidamente do caminho: há espaço entre as pessoas ao lado, que também vão se mover para liberar o caminho. Cria-se rapidamente um corredor em meio à massa de pessoas para que o veículo de emergência possa passar.

Em março de 2009, durante uma manifestação de ciclistas, presenciei uma cena que me marcou bastante. Subindo a R. Augusta, dos Jardins para a Paulista, havia uma massa de centenas de ciclistas ocupando totalmente a rua, desde a Av. Brasil até a Av. Paulista. De repente, aparece um enorme caminhão de bombeiros, com sua sirene ligada e buzinando, vindo da Estados Unidos e entrando na R. Augusta.

Com a agilidade e maleabilidade que só uma massa de pessoas consegue ter, abriu-se espaço para o carro de bombeiros como se Moisés abrisse o Mar Vermelho. O caminhão subiu a Augusta como se ela estivesse totalmente desimpedida, chegando ao topo em poucos segundos.

Se em vez daquelas quinhentas bicicletas subindo calmamente a R. Augusta os bombeiros tivessem encontrado 50 carros, teriam demorado muito, mas MUITO mais para passar por eles. Fica no ar a pergunta: quem atrapalha o trânsito?

CET pode ser punida



Na segunda-feira 19, o Ministério Público de São Paulo encaminhou à CET uma notificação extrajudicial contestando a legalidade dos “bloqueios” feitos na avenida Paulista. Segundo o promotor José Carlos Freitas, os “bloqueios” são ilegais. Para justificar a afirmação, o promotor chama a liberação da avenida de “evento” e diz que a prefeitura só pode interromper o fluxo de automóveis na avenida em três eventos ao ano. Os eventos escolhidos pela prefeitura teriam sido a Parada Gay, a São Silvestre e o Reveillón.

Ora, a liberação da avenida não foi um “evento”. Foi uma medida para garantir a segurança das pessoas que ali estavam, isso ficou bastante claro. Para quem ainda não entendeu (ou não quer entender), o gerente de engenharia de tráfego da companhia Wlamir Lopes explica: os pedestres estavam ocupando faixas de circulação dos carros, o que poderia resultar em acidentes.

O MP afirma que poderá ser cobrada da CET uma multa de R$ 30 mil por liberação da avenida, além da responsabilização de agentes, servidores e autoridades por improbidade administrativa (danos ao erário, pela incidência da multa) e, ainda, ação de indenização por conta da paralisação do trânsito em outras vias importantes da cidade. Porque o importante é os carros passarem e sempre vão encontrar um parágrafo em algum lugar para justificar isso.

Novas liberações
Segundo a CET, a liberação da avenida aos pedestres pode ocorrer novamente em qualquer dia da semana a partir das 20h, até o dia 25 de dezembro, se o movimento de pedestres voltar a ser intenso.

A recomendação da CET é evitar a região (de carro) e recomenda o uso do metrô. E avisa que a Avenida Pedro Álvares Cabral, em frente ao Parque do Ibirapuera e onde há uma enorme árvore de Natal, também pode ser liberada às pessoas caso o número de pedestres seja muito alto.

Portanto, não deixe de visitar a pé a decoração de Natal da cidade. Você vê melhor, chega mais perto, deixa seus filhos mais felizes e, caso haja pessoas demais na calçada, sua segurança estará garantida pela CET, que com essa atitude demonstra perceber que “trânsito” vai além de automóveis e compreende também pessoas.

Parabéns à Companhia de Engenharia de Tráfego por mais esse acerto. A cidade de São Paulo está mudando.





http://vadebike.org/2011/12/interdicao-bloqueio-av-paulista-iluminacao-natal/?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+VaDeBike+%28V%C3%A1+de+Bike%21%29



O mundo esta ou não esta de ponta cabeça?????????


2 comentários:

Emiltri disse...

É difícil entender que Compania de Engenharia de Tráfego é diferente de Compania de engenharia de carros...
A circulação deve atender a maior demanda...ora de carro e ora a pé.

Eu achava que o movimento de retomada das ruas pelas pessoas e bikes iria começar em centros menores aqui no Brasil. Mas vejo que Sampa anda tomando frente. O cidadão paulistano está cansado desse "teletransporte" que o automóvel representa. O paulistano passa duas horas do dia no trânsito, cercado de gente e não conhece ninguém...se irrita, se deprime, se isola.

Chega.

E em boa lingua paulistana: A rua é nóis.

Salve.

Bruno D'Angelo / Luli disse...

Cirão, tudo bem?

Cara, a única explicação para o fato de terem criticadoa CET,é que, mesmo acertando, ele acabam errando.

Nesse caso, acredito ter sido a melhor - mesmo por que era única - atitude a ser tomada. Ponto prá eles e - provavelmente - fim de discussão.
Porém, a CET é tão ruim, mas tão ruim, mas tão ruim que, mesmo quando eles acertam, a população paulistana não consegue mais reconhecer.
Pode perguntar a todo paulistano do que acham da CET e todos vão dizer a mesma coisa: um lixo!
Tanto que há piadas com a sigla: Cia. de ENGARRAFAMENTO do Trânsito, ENTRONCAMENTO, ENTUPIMENTO e etc...
Resumindo: a atitude foi ótima, mas o histórico deles não olaborou em nada ao darem a notícia.
Feliz 2012!
Abraços.