p r i n c í p i o s

Estava lendo o blog do Bruno Vicari... (http://blogs.jovempan.uol.com.br/pedaladas/ciclismo/post-aberto-ao-tour-de-flandres/ ) ...esses dias, em que ele falava sobre o Tour de Flanders que ocorreu domingo com a vitória do Nick Nuyens (Saxo Bank).

Na matéria ele falava sobre o favoritismo do Fabian Cancellara, pois havia vencido o ano passado, com um ataque a 3km da chegada... Então fiquei curioso sobre alguns assuntos e fui pesquisar sobre Cancellara.

Fabian Cancellara é phoda!! Esse cara é um monstro em cima da bike, e a maioria dos que conhece homens/bicicletas/eventos de ciclismo sabem disso.

Ele é capaz de vencer quase todas as etapas de contra-relógio de qualquer evento de ciclismo, e esta mais para um cavalo em cima da bicicleta do que um Ser Humano.

É incrível a força, o ritmo, a cadência, o passo, a constância, o giro, a beleza, a concentração, a velocidade que ele é capaz de produzir em cima de uma bike seja ela de TT ou Road..... e também de Montain Bike, bike de pista, bicicross, bike de passeio, velotrol, pedalinho no lago, etc, etc, etc

Lembrando que é capaz de vencer -bonito- a grande maioria dos atletas, mesmo todos estando de bikes de carbono, tops e protótipos, e ele com uma bike Road de alumínio, adaptada para contra-relógio.

To certo ou to errado??

Bom.... mas não é sobre isso que eu quero falar. Quando fiz minha pequena pesquisa no meu grande amigo Google, vi que o "Cavalo" agora pedala de Trek.

TREK ?????

Mas . . . .

Esse pula - pula de equipes é bem complicado... e as trocas das marcas de bikes igualmente complicado.

O Cancellara a alguns anos pedalava de Cervélo, acho eu, tanto é que foi campeão olímpico com uma P3.... isso antes de pedalar de Specialized.
Com certeza ele deve ter ajudado a desenvolver a P4 na época, e depois, pela Specialized, ele venceu inúmeras provas.......... inúmeras.... além de que ajudou os engenheiros a desenvolver a Tarmac, e a Shiv . . . me corrijam se eu estiver errado por favor.

E agora ele pedala de TREK, numa nova equipe chamada Lopard.

Quero chegar no ponto que até onde é interessante para um atleta essa troca de marcas?

Sabemos que ele agrega muito para as marcas.... mas e ele ?

É interessante ele ficar trocando tanto?

Não seria muito melhor para ambos..... essa lealdade? Essa fidelidade? Essa reciprocidade?

Quem é fã do Cancellara, com certeza ficou também fã das Specializeds, e comprou bikes Specializeds.

E agora?

Agora vai ter que comprar TREK ??

Eu sei que isso não depende do atleta, e ele tem que pular e pular para onde é melhor....ou onde pagam melhor.

Sei também que as empresas mudam o tempo todo de chefões..... e se o novo BOSS ( no caso de bikes ) não gosta de ciclismo, e prefere Triathlon, ele vai dar prioridade para patrocínios de triatletas.

Com as marcas esportivas também é o mesmo caso. Um ano eles patrocinam um monte de atletas de Volei. No outro de futebol. No outro de atletismo...

PORRA!!!

Que saco!!

Vimos a vida toda a Fernanda Keller de NIKE..... agora usa Mizuno.
Vimos a vida toda o Oscar Galindez de Reebok.... e agora é Olympicos.

Os atletas são os grande perdedores nessa questão.... são vítimas.

Eles tem que ir onde estão sendo chamados... Infelizmente ....

O esporte é maravilhoso para a maioria das coisas, mas como tudo na vida, tem as partes ruins.

Posso citar os cartolas que não entendem nada de esporte, os organizadores de eventos, as marcas que influenciam totalmente e diretamente equipes e atletas, quando não influenciam diretamente sobre o ganhador de uma competição como a Copa do Mundo de 98 na França.

Infelizmente o esporte é assim.

Apenas gostaria de deixar registrado - no meu espaço - que detesto essa situação.

Eu não sou porra nenhuma perto do Oscar Galindez, ou da Fernanda Keller....... e eles também não são nada perto de atletas como Nadal ou Federer...... que também não são nada comparados ao David Beckhan e ao Ronaldinho na sua época áurea.

Mas quero ao máximo........ ao máximo, tentar ser recíproco com quem me apoia.

As empresas que me apoiam hoje, não apenas me dão equipamentos, ou dinheiro. Eles abraçaram uma causa.

A minha causa.

Patrocinar um projeto.

Eu gostaria que a Specialized tivesse ido junto com o Cancellara para a Leopard, como a Trek foi com Lance Armstrong para a Discovery e depois a Radio Shack.

Eu gostaria que o Galindez tivesse vencido Mar del Plata semana passada com o Reebok no peito, ainda.

Gostaria que a Fernanda Keller ainda sustentasse o Nike nos maios coloridos que ela sempre usa.

Eu não sei o que aconteceu para não estarem mais usando........ apenas gostaria que o mundo tivesse mais situações de fidelidade, reciprocidade, parceria, e união.

Não apenas para o esporte........... mas para a vida.

Usar princípios como esses no esporte....será apenas uma consequência de usa los na vida.

Apenas isso.

10 comentários:

Fernando disse...

Bonito foi o Mark Allen e a Nike. Do começo ao fim, apoio total. Marcas de bike, rodas, etc.. Todas eram "by choice" como ele mesmo dizia em alguns anúncios da Zipp na época, mas a nike abraçou o cara, e ele era, com toda razão, garoto propaganda da Nike. Sou fã do Mark Allen, (apesar de achar que o nome do Deus do triathlon seja Dave Scott) e não sou nada fã da Nike com seu Air furado e outras politicagens, mas esse caso entre eles e Mark Allen é bonito de ver.

ciro violin disse...

Bem lembrado!!!

triatleta disse...

Infelizmente só os grandes deuses do esporte permanecem sendo apoiados pela vida toda 9naõ só esportiva as vezes ...)

Além dos já citados o 1º nome q me vem a mente é Michael Jordan ...

Se o atleta diminui a edposição ... a marca pula fora !!! Só interessa "sugar" ao máximo a imagem do atleta na maioria dos casos ...

Abraços
Victor

Max disse...

Embora não seja a mesma coisa, é parecido: Rogério Ceni e SPFC. Outro dia falávamos aqui em casa...quanto dinheiro a mais o Rogério poderia ter ganho se tivesse ido pra Europa. No entanto, por algum motivo que deve envolver amor a esse time, ele resolveu ficar. Me faz lembrar como era no tempo em que se jogava por amor a uma camisa.

Beto Nitrini disse...

Ciro, desta vez vou ter que discordar de você.
Acho que o atleta troca de marca não só por opção dele, mas também pela falta de interesse da marca em mantê-lo como atleta.
Atleta profissional é como qualquer outro profissional, ele pode receber propostas de outras empresas e se a empresa atual achar que vale à pena pode cobrir a oferta para o cara ficar!
Max com relação ao Rogério Ceni, acho que futebol é outro patamar, mas ele não saiu do São Paulo por que nunca receeu uma proposta real, a única que ele apresentou ao São Paulo foi falsificada por ele para conseguir um aumento (jogador de futebol não é exemplo para ninguém).

Ciro dê uma olhada no blog que eu criei para discutir alguns assuntos relacionados, também, ao nosso esporte.

Abs

AnaMaria disse...

Bom Ciro, mais uma vez um belo texto.
Recíproco com quem te apoia com certeza você esta sendo.

Você se propôs a correr como amador, e ganha toda prova que participa.
O que mais os patrocinadores podem querer?

Eles não vão pedir para você subir em cima de uma mesa e dançar.
Você foi “contratado” para dar seu melhor, e é isso o que esta fazendo.
Aliás, muito bem feito.
Ganhou as duas provas no fim de semana, e isso mostrou que você escreve a história do triathlon no Brasil com muita competência.

Só que infelizmente o mercado é assim.
O capitalismo é assim.
Cada um olha mais para seu próprio umbigo do que para o umbigo do outro. Essas trocas vão sempre acontecer, enquanto houver ego, ambição, e dinheiro na jogada.

Parabéns
AnaMaria

sica disse...

O problema Ciro é que as marcas usam a paixão dos torcedores, mas na verdade não são apaixonadas pelo sport ou pelos atletas.
Eles são descartáveis e com prazo de validade, é triste mas é a verdade.
Acima de tudo admiro a sua paixão pelo Triatlhon e força na sua decisão de manter o seu estatuto de Age-group.

Nilton disse...

Exemplos de fidelidade entre marca e atleta ou equipe tem vários.
São pucos comparado com a grande maioria das relação, mas existem vários.

Posso citar Pete Sampras e a Nike, a Ford e o Ironman Hawaí, a Gatorade e o Ironman Hawaí (só mudou o ano passado) , Specialized e Ned Overend (MTB), Coca Cola e a copa do mundo, relógios Festina e a equipe Festina de ciclismo, Bianchi e o Pirata marco Pantanni, etc, etc, etc.
Marcas e atletas ou eventos que sempre estiveram juntos nos momentos bons e ruins.

É bonito isso sim, mas inviável. As vezes só é bonito no papel, mas na prática não fuinciona.
Acho que cada um deve fazer sua parte bem feita até onde o contrato manda. Acabou o contrato, acabou o vínculo. A não ser que se renove, um não tem mais nada a ver com o outro.

Essa é só minha opinião

Abraço e bons treinos a todos

Joka disse...

É dificil !!!!rs

Guto Antunes disse...

Ciro,

No nosso esporte isso é culpa única e exclusivamente das marcas.

Eu sou um exemplo disso. Já vesti com muito orgulho e felicidade (afinal, só trabalho com marcas que tenho identificação) as maiores marcas deste que me profissionalizei. E fui descartado como um cachorro sem dono em praticamente todas elas. Acontece assim com todos nós. É uma falta de profissionalismo imensa. Ficamos com cara de "tacho", afinal, até ontem falávamos que aquele tênis era sensacional, aquela bike era a mais rápida... Tenha a certeza que sofremos muito com isso. Quem perde não são os atletas. São as marcas que perdem grandes embaixadores e admiradores.

Nenhuma marca oferece contratos e trabalhos de longo prazo. No fim das contas, acabam jogando dinheiro fora "ajudando" atletas, ao invés de TRABALHAR junto aos mesmos.

Abs